domingo, 7 de fevereiro de 2010


“Importante é a luz,
mesmo quando consome.
A cinza é mais digna que a matéria intacta”
**Caio F. Abreu**
Tambem eu saio à revelia e procuro uma síntese nas demoras ...
cato obsessões com fria têmpera
e digo do coração: não soube
e digo da palavra: não digo
(não posso ainda acreditar na vida)
e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto."
**Ana Cristina Cesar**
"Vez por outra,
eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens,
sabendo, sem sombra de dúvida,
que o Sol era louro
e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul."
 **A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak **

Há dias em que a gente acorda com uma estranha
vontade de achar as cousas belas
os homens bons
o mundo direito...
Nem bem damos ao Sol o bom dia escancarado
das janelas,
e percebemos já que há festa em nossos olhos
e o coração que bate, é uma canção no peito!
Que alegria há maior que essa, a de abrirmos
as janelas ao ar, ao dia, à luz,
e deixarmos que o Sol barulhento e abelhudo
se atire sobre tudo
numa infantil algazarra,
cantando nos cristais, nos vidros, nas arestas,
como uma cigarra?!
Há dias em que a gente acorda assim, com esse otimismo
e essa vontade louca
de trazer um sorriso cantando na boca,
e abrir ao ar, ao Sol
o próprio coração...
Nesses dias
a gente parece criança - tem desejos doidos
de ser ave no espaço!
- e a um estranho qualquer que cruze o nosso passo
sem a menor razão,
daremos de bom grado o nosso braço
ou estenderemos a mão!
Nesses dias
parece que as árvores se enchem
de novas melodias,
de odres novas e de folhas novas
e há mais frutos nos ramos,
- nesses dias parece que a tudo o que vemos
e a tudo o que não vemos
nós amamos !
Acordamos com essa vontade estranha
de achar que tudo é belo
tudo é bom
que a Vida é boa!
- de atirar para o céu as torres de um castelo
e andar o dia inteiro nesse mesmo tom
cantarolando à toa !
Nesses dias,
não sei se será assim com toda a gente
no instante em que escancaro aos céus minha janela
penso que é nesse dia, justamente,
que eu vou estar com Ela..
- há dias mesmo assim
em que o mundo é melhor !
e em que a Vida é mais bela!
**Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro " AMO ! " 1a edição 1938**
Vida, que tanto me deste
e que eu, desajeitado ou louco,
por tédio, por orgulho ou por cansaço
quebrei, gastei, perdi...
Bem sei que não tenho direito
a nada esperar de ti,
- entretanto, ouve-me ainda, como se ouvisses
o último pedido de um condenado,
sem te importares se te maldigo:
- arranja-me um outro amor, maior que aquele,
e pior que aquele até, bem pior que aquele!
Seja este o meu castigo!
**J.G. de Araujo Jorge, do livro "ESPERA..."- 1960**


'Histórias com final feliz, são histórias
que ainda não acabaram.'
**Lídia Martins**
'É preciso que você não deixe
morrer principalmente isso que tá aqui ohhhh...
-Levou uma das mãos até o coração'
**Caio Fernando de Abreu**

Reconheço a voz íntima da nostalgia
Enquanto o pensamento percorre
Os corredores das lembranças
Em mim, a noite perdida
O grito aprisionado no olhar
O desvanecer de tanta ternura
Dissipando-se no imperecível
Diluindo-se no abstrato

No horizonte o olhar fixo
Buscando-te onde não me alcanças
Um arder de emoções
Cala-se em meus lábios
Em mim o pulsar do teu coração
E este amor despido num rito de solidão
Um princípio de lágrimas
Beija-me a face que não tocaste
Depois, o silêncio, os sonhos, a imensidão
E o debruçar dos meus olhares
No caminho onde a saudade
É somente a tua ausência...
**Fernanda Guimarães**
Poderia te falar das noites não dormidas
Em que a saudade ampara-me os olhos
Talvez devesse te dizer da sombra das palavras
Essas que se abrigam atônitas em meus dedos
Encarcerando as verdades que tanto nego
Quem sabe fosse preferível confessar
As vertigens que oculto entre as paredes
Quando é apenas teu nome pronunciado
Por quem sequer te sabe em mim

Sim, falo-te desse ritual a que cede meu corpo
Antecedendo tua chegada, ainda que apenas memória
Porque continuo a te inventar em minha solidão
Indiferente aos letreiros de néon que estampam avisos
Denunciando a distância que meus olhos vendam
Como se a ausência ofuscasse as marcas delineadas
Deixadas pela ternura de apenas me desejares

Talvez devesse te contar da calma que forjo
Quando me acorre a lembrança da tua voz
E num sorriso casual e frio, apago os tremores
E sei-me vil, ardil e dissimulada
Imolando as carícias que ajoelhadas pedem-me por ti
Suplicando alguma clemência, quiçá piedade
Mas não me movo, apática, finjo não entender
Letárgica, consumo-me entre a dor e o desamparo
Consumada pelo silêncio que me deste como caminho
Esse estranho idioma que ensinaste meus lábios a ler...
**Fernanda Guimarães**

Eu

Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!

Andava a procurar-me -Pobre louca!-
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!
**Florbela Espanca**

Poema Concreto

O que tu tens e queres saber
(porque te dói) não tem nome.
Só tem (mas vazio) o lugar
que abriu em tua vida a sua própria falta.

A dor que te dói pelo avesso,
perdida nos teus escuros,
é como alguém que come
não o pão, mas a fome.

Sofres de não saber
o que tens e falta
num lugar que nem sabes,
mas que é tua vida,
quem sabe é teu amor.
O que tu tens, não tens.
**Thiago de Mello**

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.

.
.
.
E me encantei.
**Manoel de Barros**

Tentei descobrir na alma
alguma coisa mais profunda
do que não saber nada sobre as coisas profundas.

Consegui não descobrir.
**Manoel de Barros**

"Ahhhh vida louca esta,
que nos prega peças a todo instante
nos leva pra longe de quem amamos
que coloca obstáculos à nossa frente constantemente
.
.
.
e ainda exige de nós
extraordinária força
e um belo sorriso nos lábios"
**Ana Paula Abreu**

...e mesmo que todas as vozes se calem
e eu ja não sinta o coração descompassado
mesmo que a carne dilacere por tamanha que seja a minha dor
mesmo que meus passos cada vez mais lentos precisem de uma trégua
e a vista confusa não perceba mais a beleza dos dias que chegam
ou que meus pensamentos se embaralhem e não me dêem a clareza da razão
ou ainda que eu esteja cansado demais pra continuar...
.
.
.
vou entender que meus dias
tiveram uma beleza que eu talvez não tenha percebido,
e que minha estrada vai muito além do que ja foi percorrido ate agora
e que devo apenas acreditar...
...mas eu ainda vou esperar por mais depois daquela curva
**Ana Paula Abreu**
.

sábado, 30 de janeiro de 2010


te sigo louca
insana
uma doidivanas
busco o braço
o abraço
o laço...que me prende a ti
saio sem rumo
sem prumo
depois simplesmente sumo
e me perco no vale da minha imaginação
nesta busca desenfreada
pelo final da nossa historia...
ou talvez seu recomeço
**Ana Paula Abreu**
"Preciso de alguém,
e é tão urgente o que digo.
Perdoem excessivas, obscenas carências,
pieguices, subjetivismos,
mas preciso tanto e tanto.
Perdoem a bandeira desfraldada,
mas é assim que as coisas são-estão
dentro-fora de mim: secas."
**Caio fernando Abreu**

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


"É tão dificil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificilimo contar.
Olhei para você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo a isto estado agudo de felicidade."

**Clarice Lispector **

domingo, 17 de janeiro de 2010


"Eu nunca vou entender
porque a gente continua voltando pra casa
querendo ser de alguém,
ainda que a gente esteja um ao lado do outro.
Eu nunca vou entender
porque você é exatamente o que eu quero,
eu sou exatamente o que você quer,
mas as nossas exatidões não funcionam
numa conta de mais."
**Tati Bernardi**

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010



Amor feito de esperas...
.
.
.
se ainda demoras a vir,
me avise...
preciso descansar.
**Ana Paula Abreu**


Ela, a Ana, sabe?
Aquela "menina-mulher da pele preta"...
veste-se de silêncio,
acredita no acaso
tem um sonho nas mãos
e juízo de sobra...
mas se perde sempre que sai para dançar
a musica a carrega pra outro mundo...
e ela se esquece de voltar.
**Ana Paula Abreu**

Me diz que depois daquela curva
você me espera
que desacelero o coração...
**Ana Paula Abreu**

sábado, 9 de janeiro de 2010



Dizem que a gente tem o que precisa, não o que a gente quer.
Tudo bem...eu não preciso de muito.
Eu não quero muito...eu quero mais...
Mais paz, mais saúde, mais dinheiro, mais poesia, mais verdade, mais harmonia...
Mais noites bem dormidas.
Mais noites em claro.
Mais eu...mais você.
Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca.
Eu quero nós...mais nós.
Grudados.
Enrolados.
Amarrados.
Jogados no tapete da sala.
Nós que não atam nem desatam.
 Eu quero pouco e quero mais.
Quero você...quero eu.
Quero domingos de manhã.
Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro.
Quero seu beijo.
Quero seu cheiro.
Quero aquele olhar que não cansa,
o desejo que escorre pela boca
e o minuto no segundo seguinte:
nada é muito quando é demais."
**Caio Fernando de Abreu**

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


"...Porque a vida precisa
de pele e cheiro e calor
e o tiquetaquear do coração do Outro
junto do coração da gente."
**Briza Mulatinho**

'Que todo mundo tenha um amor quentinho...


"...Descanso pro complicado do mundo.
Surpresa pra rotina dos dias.
...A quem esperar...de quem sentir saudades.
Um nome entre todos.
O verso mais bonito.
A música que não se esquece.
O par pra toda dança.
Por quem acordar....com quem sonhar antes de dormir.
Uma mão pra segurar, um ombro pra deitar, um abraço pra morar.
 Um tema pra toda história.
Uma certeza pra toda dúvida.
Janela acesa em noite escura.
Cais onde aportar.
 Bonança, depois da tempestade.
Uma vida costurada na sua, com o fio compriiiiido do tempo."
**Briza Mulatinho**

"Lambeu as lágrimas que escorriam,
manchando a língua de tristezas...
Quando o vazio é muito grande,
as lágrimas são transparentes."
**Rita Apoena**

"Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!"
**Mario Quintana**


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


...e até me divirto
e descubro a gota de mel
no meio do fel.
Colei aquele "Eu amo você" no espelho.
É pra mim mesmo".'
**Caio Fernando de Abreu**


"Existe um único antídoto para a falta de tempo.
Um único...
Estar APAIXONADO.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado."
**Fabricio Carpinejar**

domingo, 3 de janeiro de 2010


"Ah, se eu pudesse me arrumar por dentro,
tudo calminho nas gavetas"

**Lygia Fagundes Telles**

Ah, então foi pra ele que eu dei meu coração e tanto sofri?
Amor é falta de QI,
tenho cada vez mais certeza"
**Caio Fernando de Abreu**




"Já não me importa se vais chegar ou se não vens,
desisti de esperar alguem
cuja ausência me faz companhia"
**Martha Medeiros**

" Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa
e sim como aviso de que somos livres."
**Clarice Lispector**




"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim:
vivo me perdendo de vista.
Preciso de paciência porque sou vários caminhos,
 inclusive o fatal beco-sem-saída."
**Clarice Lispector*

"Não sei, até hoje não sei se o príncipe era um deles.
Eu não podia saber, ele não falava.
E, depois, ele não veio mais.
Eu dava um cavalo branco para ele,
uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar,
dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse,
 fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros,
com as cascas dos cocos,
até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe.
 Mas ele não queria, acho que ele não queria,
e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique
a gente constrói qualquer coisa,
até um castelo."

**Caio Fernando de Abreu**

Iniciei mil vezes o diálogo.
Não há jeito.
Tenho me fatigado tanto todos os dias
vestindo,
despindo
e arrastando amor,
 infância,
sóis
e sombras.
**Hilda Hilst**

"Depois de todas as tempestades e naufrágios,
o que fica de mim em mim
é cada vez mais essencial e verdadeiro."


.

.

.

**Caio Fernando de Abreu**

"Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse...
Por dentro também eu estava preparado para dizer,
um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer,
 e quando você telefona ou aparece com aquelas maças
eu preciso me cuidar para não assustar você...
e quando você pergunta como estou,
 mordo devagar uma das maçãs que você me traz
e cuido meus olhos para não me trairem e não te assustarem
e não ficarem querendo entrar demais no de dentro dos teus olhos...
então eu cuido devagar tudo que digo e todo movimento,
porque eu quero que você venha outras vezes
e eles dizem que se eu me mostrar como realmente sou
você vai ficar apavorado e nunca mais vai aparecer nem telefonar
— eu não agüento mais não me mostrar como sou."
**Cao Fernando de Abreu - in Carta para Além do Muro**